Diferença entre Cirurgia Estética e Funcional
Entenda a diferença crucial entre cirurgia estética e funcional pós-bariátrica, e descubra por que essa classificação é fundamental para garantir a cobertura do seu plano de saúde. Conheça seus direitos e faça escolhas informadas.
DIREITO SAÚDE SUPLEMENTAR


Uma das principais razões pelas quais os planos de saúde negam a cobertura de cirurgias reparadoras após a bariátrica é a alegação de que se trata de procedimento estético. Mas você sabe qual é a real diferença entre uma cirurgia estética e uma cirurgia funcional?
Essa distinção não é apenas técnica: ela é determinante para garantir ou negar seu direito à cobertura pelo convênio. Entender essa diferença pode ser a chave para reverter uma negativa e conquistar a autorização que você precisa.
O que caracteriza uma cirurgia estética
A cirurgia estética tem como objetivo exclusivo melhorar a aparência, sem que haja uma condição médica subjacente que comprometa a saúde ou a funcionalidade do corpo. São procedimentos realizados por escolha pessoal, voltados ao bem-estar emocional relacionado à imagem corporal.
Exemplos clássicos de cirurgias estéticas incluem rinoplastia por motivos exclusivamente estéticos, lipoaspiração para contorno corporal sem indicação médica, mamoplastia de aumento por desejo pessoal, entre outros.
Nesses casos, não há cobertura obrigatória pelos planos de saúde, pois não existe uma necessidade terapêutica comprovada.
O que define uma cirurgia funcional ou reparadora
Já a cirurgia funcional ou reparadora é aquela realizada para corrigir uma condição que compromete a saúde física, causa sintomas, limita movimentos ou gera riscos ao paciente. O objetivo principal não é estético, mas terapêutico.
No contexto pós-bariátrico, a cirurgia reparadora se torna funcional quando o excesso de pele causa problemas documentados de saúde, tais como:
Infecções e dermatites de repetição - O acúmulo de umidade nas dobras de pele favorece o crescimento de fungos e bactérias, causando infecções recorrentes que não respondem adequadamente ao tratamento clínico.
Limitação de movimentos e dificuldade de locomoção - O excesso de pele pode pesar significativamente e dificultar atividades cotidianas como caminhar, subir escadas, praticar exercícios físicos essenciais para manutenção do peso perdido.
Dores na coluna e articulações - O peso do excesso cutâneo pode sobrecarregar a coluna vertebral e articulações, causando dores crônicas e comprometimento postural.
Feridas e assaduras crônicas - Lesões que não cicatrizam adequadamente devido ao atrito constante da pele excedente.
Comprometimento da higiene e qualidade de vida - Dificuldade para realizar higiene adequada das áreas afetadas, levando a odores, desconforto e impacto na vida social e profissional.
Por que essa distinção é crucial para a cobertura do plano
Os planos de saúde são obrigados por lei a cobrir procedimentos com finalidade terapêutica. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) estabelece o Rol de Procedimentos, que serve como referência mínima de cobertura obrigatória.
Quando a cirurgia reparadora é comprovadamente funcional, ela se enquadra na categoria de procedimento necessário à saúde, devendo ser coberta pelo convênio. A negativa baseada apenas na classificação genérica de "estética" pode configurar prática abusiva.
O Código de Defesa do Consumidor protege o beneficiário contra negativas injustificadas e garante o direito à saúde integral. Além disso, diversas decisões judiciais reconhecem que o rol da ANS é exemplificativo, não podendo ser usado para negar tratamentos com eficácia comprovada e indicação médica fundamentada.
Como comprovar que a cirurgia é funcional
A documentação médica é fundamental para demonstrar que a cirurgia reparadora não tem fins puramente estéticos. Alguns elementos são essenciais:
Laudo médico detalhado - O documento deve descrever minuciosamente os problemas de saúde causados pelo excesso de pele, a frequência e gravidade dos sintomas, os tratamentos já realizados sem sucesso e a indicação precisa da necessidade cirúrgica.
Registro fotográfico - Fotos das áreas afetadas, mostrando o excesso de pele, lesões, infecções e outras alterações decorrentes do problema.
Histórico médico - Prontuários que comprovem consultas frequentes, uso de medicações para tratar infecções, atestados de limitação para atividades, entre outros registros que evidenciem o impacto na saúde.
Relatórios de exames - Resultados de exames que diagnosticaram infecções, inflamações ou outras complicações relacionadas ao excesso de pele.
Quanto mais completa e objetiva for a documentação, maiores as chances de reverter uma negativa, seja administrativamente ou judicialmente.
O papel do médico nesse processo
O cirurgião plástico ou o médico que acompanha o paciente pós-bariátrico tem papel fundamental na elaboração do laudo. É importante que o profissional tenha clareza sobre a distinção entre estético e funcional e saiba documentar adequadamente as condições clínicas que justificam a cirurgia.
Muitas negativas ocorrem porque o laudo médico não foi suficientemente detalhado ou não deixou claro o caráter funcional do procedimento. Por isso, é recomendável que o paciente converse com seu médico sobre a importância de um relatório completo e objetivo.
Jurisprudência favorável aos pacientes
Os tribunais brasileiros, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), têm reconhecido de forma consistente o direito dos pacientes à cobertura de cirurgias reparadoras pós-bariátricas quando comprovada a finalidade funcional.
Decisões recentes reforçam que a recusa baseada exclusivamente na alegação de caráter estético, sem análise individualizada do caso e desconsiderando laudos médicos fundamentados, configura negativa abusiva e viola o direito à saúde do consumidor.
Não aceite uma negativa sem questionar
Se o seu plano de saúde negou a cirurgia reparadora alegando ser procedimento estético, não desista. Questione a decisão, apresente documentação médica robusta e busque orientação jurídica especializada.
A diferença entre estético e funcional pode parecer sutil, mas tem consequências enormes para sua saúde, qualidade de vida e direitos como consumidor. Você merece ter sua situação analisada de forma justa e individualizada.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substituindo a análise individualizada de cada situação jurídica.
